O Companheiro - um conto de robôs que escrevi depois de terminar o livro do ISAAC ASIMOV
Era um café comum, daqueles que servem de refúgio diário a quem precisa de rotina. Xavier almoçava sozinho, como fazia havia anos. O estabelecimento vibrava com o movimento habitual: portas que se abriam e fechavam sem descanso, pratos que entravam e saíam da cozinha num ritmo quase mecânico, vozes que se misturavam no ar quente do meio-dia. Enquanto comia, o telemóvel vibrou sobre a mesa. Ele olhou distraidamente, limpando as mãos. Os olhos arregalaram-se ao ler as primeiras palavras: “Xavier, desculpa dar-te esta mensagem assim. Mas o Chico faleceu. Eu sei que…» Não leu o resto. Pousou o aparelho com cuidado, como se este fosse frágil, e continuou a refeição em silêncio. Por breves segundos, sentiu uma palmada familiar no ombro — o gesto característico de Chico quando chegava, por vezes atrasado. Sorriu por dentro. Um homem de sessenta e cinco anos a ver animes e a fazer palhaçadas como um miúdo. Quem diria. Terminou de comer, levantou-se e dirigiu-se à caixa. O dono do...







.jpg)
