A Casa do Zé – A Minha Segunda Casa
Eu gosto muito da casa do Zé desde o primeiro dia em que lá fui. É uma casa acolhedora e, além da minha, é a única onde me sinto verdadeiramente em casa. Gosto mesmo muito. Adoro acordar, procurá-lo e encontrá-lo sempre a trabalhar no escritório. Sento-me no sofá e fico a vê-lo trabalhar, sentindo uma paz enorme. As torradas dele com leite e café sabem exatamente como as do pequeno-almoço da minha avó materna. Os amigos vivem sempre longe, é verdade. Mas talvez seja por isso que, quando nos reencontramos, os abraços sabem ainda melhor — são os que ficaram por dar. Depois volto com o coração acelerado e já com a promessa de regressar em breve. Antes chateava o Hugo constantemente para irmos lá. Até que um dia, farto de me ouvir, ele me disse: “Vai sozinho de comboio.” No início achei que ia ser difícil. Mas o Zé ensinou-me o caminho: quais os dois comboios a apanhar, tanto para ir como para voltar. Agora, quando chego à estação, dou sempre um abraço forte ao Zé, como se dissesse:...








