Conto “Irmãos Além do Tempo”
Feche os olhos por um instante… e permita-se atravessar o tempo. Imagine o som distante das sirenes cortando o céu de Tóquio . É a década de 1940. A guerra espalha medo como cinzas no vento. E, no meio do caos, duas pequenas mãos se apertam com força — como se, juntas, fossem indestrutíveis. Naruhito e Takeshi. Irmãos gêmeos. Iguais no rosto, quase indistinguíveis no sorriso. Mas, acima de tudo, iguais na alma. Quando os bombardeios começavam, a mãe os chamava com urgência contida na voz. O coração dela batia mais rápido, mas seus gestos eram firmes. Conduzia os filhos até uma gruta escondida nas montanhas, um refúgio silencioso onde o eco dos aviões se transformava em sussurro distante. Ali, no frio da pedra e no cheiro úmido da terra, os dois meninos aprendiam o verdadeiro significado de proteção: não era o abrigo de rocha… era o abraço um do outro. Eles gostavam das mesmas coisas. Riam das mesmas histórias. Sentiam medo do escuro — mas nunca admitiam. Porque, quando ...



