Estou a escrever um policial. Aqui vai o suposto primeiro capitulo. Espero que gostem.

 
       O Destino existe.
     Aquele destino que lançou o inspetor Francisco Pereira de cabeça na sua colega da Judiciária Maria Moniz. A mesma Maria que, vinte anos antes, era apenas uma estudante no Instituto de Paços de Brandão e conheceu Francisco nas praxes. Quando ambos se viram, tudo mudou. Ficaram inseparáveis. Maria começou a ser visita frequente na casa do Francisco, em Oiã, Aveiro. Foi o destino também que fez a Maria pensar em renovar aquele quarto fechado na sua casa, em Massarelos na cidade do Porto. O mesmo destino que, num jantar em família, colocou as palavras certas na boca do irmão Pedro.
       — Lembram-se do quarto fechado que temos em casa? — perguntou Pedro, pensativo.
          — Sim — respondeu Maria.
          — Vamos renová-lo. Pintá-lo. Transformá-lo num quarto de visitas.
          Maria gostou imediatamente da ideia.
         — Podemos pintar. Até posso solicitar ajuda ao seu namorado…. Como se chama? Sabe o que se parece o Pai Natal.
         — O inspetor Francisco Pereira?
         — Sim esse! — Concordou Pedro.
O Destino, mais uma vez, fez o seu jogo. Na judiciária, na Foz do Douro a Maria entrou e procurou o Francisco, mesmo dizendo a família que eram só amigos, ela gostava dele.
         Não sei descrever personagens, mas vou descrever o inspetor Francisco, alto…. Considero que deve medir 1,70 metros, pesa 100 kl, tem um cabelo rebelde branco tal como a barba e olhos azuis e quando era inspetor vestia formal, calças de ganga azuis e uma camisa de várias cores, quando andava de carro usava de usar os seus óculos de sol.
         Quando era um civil gostava de utilizar t-shirts das suas bandas preferidas desde AC DC aos Pink Floyd ou uma ou duas de animes e a sua preferida do filme Padrinho.
          Os amigos pegavam com ele por ele ter cabelo e barba branca, mas ele já tinha desde miúdo, era algo genético dos homens da sua família, o seu pai teve, seu avô também teve e talvez ele não tem a certeza, mas o seu bisavô teve e se formos mais atrás o seu trisavô teve. 
         Quando ele chegou todo contente cantando uma música de um anime que havia assistido, quando chegou e viu a Maria no escritório de ambos ele perguntou.
          — Viste o Segundo episódio Dragon Ball Super Beerus? Que insano,
          — A quem o dizes e quando o Son Goku chegou a super guerreiro 3? — Disse ela contente por falar com ele do que ambos gostaram então ela falou.   — Jantava com o Pedro…             
           — Deixa-me por favor tirar o casaco… estamos em outubro, mas está muito calor.
          Ele tirou o casaco e o meteu atrás da sua cadeira, ela chegou-lhe e olharam um para o outro e desviaram o rosto e ela continuou a falar.
             — Sabes, Francisco… temos um quarto fechado. Agora o Pedro quer o renovar e pintá-lo para ficar como quarto de visitas. Percebes?
           Francisco respirou fundo.
          — Sim… Queres solicitar-me ajuda para o pintar?
            Ela subiu à mesa mesmo ele não gostando e respondeu.
         — Sim. Podes me ajudar?
            Francisco corou como fazia quando ela estava junto dele e respondeu dando um beijo na testa dela como sempre fazia e ela gostava, mas fazia questão de pretender que não gostava.
            — Sim. Posso ajudar-te. Vamos combinar um dia.
           Depois ela desceu a mesa e um dos inspetores entrou no escritório e alertou.
       — O Gangue dos Vingadores voltou a atacar.
        —  A onde? — perguntou o Francisco
      — No Millennium na rua do Dio na Foz do Douro, vão para lá imediatamente.
           Ele saltou da cadeira, tirou o casaco atrás da cadeira e saiu com a Maria, ela estava contente porque ia estar mais tempo com o Francisco. 
     
         Mais tarde, como prometido, Francisco apareceu em Massarelos para ajudar a pintar o quarto fechado que a ideia do irmão dela o Pedro tinha transformado em projeto. Ali, coberto de tinta branca, de costas doendo por pintar o teto, Francisco murmurou para si mesmo, com um sorriso cansado: — Claro que o Destino existe. O que mais poderia explicar a dor nas costas, o cheiro a tinta, e o facto de estar ali, na casa da Maria — aquela mulher magricela que o Destino lhe tinha entregue há vinte anos e que nunca mais o tinha largado? Coincidência? Francisco não acreditava em coincidências.
      Maria era uma mulher que observava o mundo através das lentes redondas e douradas que emolduravam seus olhos serenos. Cabelo castanho cheio, curvava-se levemente sobre o sorriso discreto, quase conspiratório, que pairava em seus lábios. Vestia uma t-shirt marrom-escura com a estampa de uma mulher nua uns calções cinza — roupa feita para se sujar de tinta, por isso pouco importava o estado. Os cabelos castanhos, já rarefeitos no alto da cabeça, formavam uma coroa discreta ao redor da testa enrugada por incontáveis pensamentos. Havia nele uma quietude profunda, a de alguém que, depois de longos anos, ainda buscava respostas no alto, como se o céu — mesmo escondido pelas paredes — ainda pudesse responder. Francisco tinha decidido ficar até mais tarde para terminar de pintar aquela parede. Quando ele chegava pela manhã os sobrinhos olhavam para Francisco admirados por ele se parecer como o Pai Natal e eles perguntavam:
          - Posso te fazer uma pergunta?
          - Sim, podem. – o Seu sotaque carregado de aveirense e o tom extremamente amigável Francisco e antes que eles fizessem a pergunta ele respondia – Não meninos eu não sou o Pai Natal e nem me transformo na noite de natal.
          - Oooh – diziam eles 
    Durou duas semanas, o Francisco e a Maria pintaram o quarto, ele adorava o que fazia e a Maria gostava de estar com ele, ela era apaixonada por ele, mas nunca declarara. Às vezes fazia sinais a ele, mas ele parecia não ver ou fingia não ver.
           No último dia eles brincaram com a tinta e saiu um por um coberto de tinta e ele disse ao irmão da Maria.
           — Não perguntes nada.
        Quando ele se foi embora, Maria se sentia triste, último dia com ele na sua casa, ela iria vê-lo diariamente na judiciária, mas gostaria de o ter na sua casa.
         — Bem obrigado pelo almoço! Vou-me embora!
         — Temos de repetir. — disse a Maria.
        — Pode ser que tenhas ou eu tenha um quarto para pintar, bem vou indo.
       Ela abraçou-o com força e depois recompôs-se e disse.
         — Até segunda.
         — Até segunda. — disse ele.
         Ele saiu para a rua e o vento frio bateu-lhe no rosto olhou para a sua frente e viu pessoas à espera para entrarem no restaurante Capa Negra II. Caminhou pela rua bom sucesso e entrou no carro e foi para casa. 

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