Do Bar Vazio ao Número Um: A Minha História com Luke Combs

 

Hoje vi o videoclipe de Beer Never Broke My Heart, do Luke Combs — uma das suas primeiras canções. E, sem esperar, vi-me refletido ali.No vídeo, Luke aparece num bar praticamente vazio para apresentar as suas músicas novas. O espaço está quase deserto, com aquela atmosfera fria e silenciosa. Ele começa a cantar, de coração aberto, e, aos poucos, as pessoas vão aparecendo, enchendo o bar, cantando junto e vivendo o momento com ele. Mas quando a música termina, o bar volta a estar vazio — ou talvez sempre tenha estado. Aquela cena tocou-me profundamente.Luke Combs foi rejeitado durante anos. Recusado em concursos por “não ter voz”, ignorado por quem supostamente entendia de música. Os júris deviam estar surdos. Ele lançava os seus EPs e via apenas amigos e família aparecerem — exatamente como eu nos lançamentos dos meus livros. Quantas vezes me vi no Luke Combs do início da carreira: o artista que acredita, que persiste, mesmo quando tudo parece indicar o contrário.“Diziam-lhe que as tuas músicas nunca vão fazer sucesso.”
As mesmas palavras que me disseram sobre os meus livros.E sabe o que é inspirador? Naquele ano, Luke Combs teve três músicas em simultâneo no número 1 nos Estados Unidos. Ele que enche estádios hoje, já esteve exatamente onde muitos de nós estamos agora: do lado de quem ainda não foi visto.Mas eu acredito.
Um dia irei entrar numa livraria e ver um livro meu nas prateleiras. E quando esse dia chegar, vou lembrar-me deste videoclipe, do bar vazio e do Luke a cantar como se não houvesse amanhã.Porque as histórias que parecem impossíveis são muitas vezes as que mais valem a pena serem vividas.

                                                                                                                                      André Vilaça




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