Avançar para o conteúdo principal
Primeiro dia na escola de feitiçaria e bruxaria de Lusitânia Ibérica
Do
que me lembro do primeiro dia na Lusitânia Ibérica foi de ter muita fome.
Viajamos um dia inteiro só comendo doces, e metade dos chocolates nos fugia por
magia. Nossa escola ficava no alto da vila de feiticeiros Eminum, nas montanhas
da Serra da Estrela. Para os muggles, era um castelo abandonado que diziam
estar assombrado. Quem nos veio
receber foi o Tootle, o porteiro e guardião das terras da escola. Estão a ver o
Jack Black? Pois ele era bem-parecido, sorriu, ajeitou a barriga e disse
contente:
- Eu
sou o guardador de Lusitânia Ibérica e vou levar-vos à escola.
- Que
vila é esta, senhor? - perguntou um dos alunos, olhando curioso para a entrada
da vila.
- É uma vila de feiticeiros?
- Claro
que sim, meu caro, é a Vila de Eminum. Antes, uma vila de romanos; depois, uma
vila de feiticeiros, oferecida a nós pelo Rei D. Dinis aos feiticeiros
portugueses.
- Quando
podemos visitá-la? - voltou a perguntar o rapaz curioso.
- Só
no terceiro ano, se tiverem autorização dos vossos pais. Agora, façam o favor de me seguirem.
Quanto
mais nos aproximávamos, mais víamos o grande castelo Lusitânia Ibérica. Era de
noite, por isso ele estava todo iluminado. Eu vi no lago Zêzere as sereias a
dar-nos as boas-vindas, nadando ao nosso lado, todas contentes. Não vi o Zé e
perguntei ao André Ferreira, que disse que talvez os mais velhos fossem por
outro caminho. Quando subi os degraus da escola, senti-me tão feliz. Vi na
entrada dois feiticeiros de pedra. Segundo li no livro "A História de
Lusitânia Ibérica", os dois feiticeiros eram o Feiticeiro Galego e o
Feiticeiro Portuense, que acabaram com a primeira e única guerra bruxa. Duas
estátuas imponentes seguravam as varinhas para o horizonte. O Tootle chamou-me,
e eu corri para a beira do André Ferreira, todo contente. O luar iluminava o
céu estrelado, as montanhas da Serra da Estrela e o rio.
Quando
entramos no grande salão, vi os mais velhos já sentados nas suas mesas. Vi
sentado no seu trono o Zenão Ludovico, e meu coração começou a bater
aceleradamente, mas como nos concertos dos muggles, ele nem olhou para mim.
Escolheram a nossa casa, e a mim e ao André Ferreira calhou a Ursas. O diretor
Zenão Ludovico deu as regras da escola, explicou o que podíamos ou não fazer, e
no fim deu autorização para comermos. Eu estava com tanta fome que comi um
pouco de tudo. O Zé era muito brincalhão e fazia piadas com seus amigos, que
riam contentes. A minha casa era Ursas, que em latim significa urso. Urso
também era a casa real do Rei Artur, sim, ele existiu, e o feiticeiro Merlim
também. Segundo os Historiadores da História da Magia, o livro mais próximo do
Rei Artur verdadeiro é "A Morte do Rei Artur", escrito pelo muggle
Thomas Malory. O Zé contou-nos na mesa que existiam damas do lago em Portugal
ou, se formos mais tradicionais, mouras encantadas.
Foi
quando eu me assustei com um fantasma de mulher que nos mandou comer em
silêncio. Perguntei quem era, e o Zé apresentou-a:
- Malta,
apresento-vos a famosa Inês de Castro.
- A
Inês de Castro que ficou rainha depois de morta? - perguntei eu outra vez.
- Sim,
ela nunca teve descanso porque foi tirada do túmulo antes do tempo e decidiu
vir para aqui. Agora pensa que é nossa técnica ou algo assim.
- Eu
gosto dela - disse o Hugo, e depois fez uma cara feia, dizendo: - Mas odeio o
sem-cabeça.
- Sem-cabeça?
- É
um fantasma muito chato que pensa que é assustador, mas parece mais um palhaço
- disse o Zé.
- Por
que lhe chamam sem-cabeça? - perguntou o André Ferreira.
- Porque
quando fala ou faz algo, a cabeça lhe cai. Quando era vivo, teve a cabeça
cortada.
O
castelo era mesmo mágico; os quadros falavam connosco, como um que eu tenho da
minha bisavó, que estava sempre a dormir no cadeirão. Na entrada da nossa casa,
estava um guerreiro medieval que pediu a senha. O Zé a deu e depois nos contou
qual era. O guerreiro medieval deixou-nos entrar, e vimos a sala de convívio da
casa Ursa. Eu escrevi uma carta, coloquei-a na pata do meu falcão, Viriato, e
mandei para minha mãe, para dizer que estava bem. Ele apareceu no dia seguinte
com uma resposta da minha mãe, agradecendo.
Os
técnicos, Zé e Hugo, mandaram-nos preparar para descansar, pois o dia seguinte
seria grande e cansativo, sendo o primeiro dia de aulas. Nós fomos nos
preparar, e, quando íamos nos deitar, o Zé chamou-me em Elfo e eu fui com o
André Ferreira até ele.
Estávamos
de pijama, comendo os doces que sobraram do comboio. O Zé tomou um doce que fez
sair fumo pelas orelhas. Ficamos assim, todos juntos, até sermos descobertos
pelo fantasma da Inês de Castro, que nos mandou para as camas, toda educada.
Já
deitado na minha cama, antes de dormir, eu disse ao André Ferreira:
- Boa
noite, André Ferreira, até amanhã.
- Até
amanhã, André Vilaça. Boa noite.
Adormeci,
e uma aventura ia começar no meu primeiro ano na escola Lusitânia Ibérica.
Comentários
Enviar um comentário