Cada amigo ensinou-me uma coisa diferente
O Zé ensinou-me o verdadeiro significado de casa. Percebi que não vou à casa dele apenas porque gosto de lá estar. Vou porque é lá que me sinto protegido, compreendido e aceite. A casa é apenas o cenário; o verdadeiro refúgio é a amizade entre nós.
O Hugo fez-me perceber que a nossa amizade nunca foi sobre o telemóvel. As mensagens, os vídeos ou as fotografias são apenas o meio. O que realmente importa é a tranquilidade de saber que existe sempre alguém que responde, alguém que está presente. É essa presença constante que transforma uma rotina tão simples numa amizade profunda.
O João Moniz mostrou-me que uma amizade nunca se mede pela distância. Durante muito tempo pensei que o oceano separava o Porto dos Açores. Hoje sei que a verdadeira medida da amizade nunca foi o Atlântico, mas sim a ligação entre duas pessoas que continuam importantes uma para a outra, independentemente do lugar onde vivem.
O André Ferreira fez-me compreender que as melhores amizades, muitas vezes, começam da forma mais simples. A nossa nasceu de uma conversa numa praia sobre Naruto. O tempo passou, vieram a Comic Con, o Iberanime, os filmes de anime, as conversas e as memórias. Hoje percebo que a história mais bonita é aquela que começa com uma simples conversa e continua a ser escrita, capítulo após capítulo, por dois amigos que decidiram nunca deixar de fazer parte da vida um do outro.
E depois há o Professor Paulo.
Durante muito tempo pensei que ele me estava apenas a ensinar a andar de autocarro. Mas estava enganado.
O Professor Paulo nunca venceu o medo por mim. Ensinou-me, com paciência e confiança, que eu próprio era capaz de o enfrentar. O autocarro deixou de ser apenas um meio de transporte. Passou a simbolizar a minha independência, a liberdade de poder ir visitar o Zé quando quiser, sem deixar que o medo decidisse por mim.
Quando olho para estas cinco amizades, percebo que nenhuma delas é igual.
O Zé ensinou-me o significado de refúgio.
O Hugo ensinou-me o valor da presença.
O João Moniz ensinou-me que a amizade vence a distância.
O André Ferreira mostrou-me que as grandes amizades podem nascer de uma simples conversa.
E o Professor Paulo ensinou-me a confiar em mim próprio.
Hoje percebo que a vida não é feita apenas dos lugares onde estivemos ou das viagens que fizemos.
É feita das pessoas que caminharam ao nosso lado e que, sem talvez se aperceberem, deixaram uma marca em nós.
Cada uma delas ajudou-me a escrever um capítulo diferente da minha vida.
E, juntos, ensinaram-me que as maiores riquezas que uma pessoa pode ter não são as coisas que guarda, mas as amizades que conserva no coração


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