A peregrinação a Santiago de Compostela que ainda está por acontecer

 

Caros leitores do “Simplesmente Asperger”,

O que vos vou contar era para ser a melhor peregrinação que alguma vez fiz. Na minha cabeça, estava a começar uma verdadeira aventura épica: uma caminhada até Santiago de Compostela, ao lado de pessoas muito importantes para mim. Mas, pelo caminho, aconteceram algumas coisas que mudaram completamente os planos e, no fim, essa peregrinação não se realizou.

Eu era para ter ido com o meu irmão e com a Marina a Santiago de Compostela a pé. Nunca tinha feito essa peregrinação dessa forma e, por isso, a ideia deixava-me muito entusiasmado. Era uma aventura nova, um desafio e, ao mesmo tempo, uma oportunidade de viver uma experiência inesquecível com o meu irmão e a Marina.

O meu irmão chegou mesmo a dizer-me para começar a preparar a peregrinação. Eu levei isso muito a sério. Como queria que tudo corresse bem, falei com o Zé. Contei-lhe os nossos planos e ele disse-me que, se o meu irmão não se importasse, faria a peregrinação connosco.

E assim, na minha cabeça, estava formada a equipa: eu, o meu irmão, a Marina e o Zé, rumo a Santiago de Compostela.

Comecei a tentar organizar tudo. Como sou autista, quando tenho uma coisa muito importante na cabeça, posso ficar bastante focado nela. Por isso, fui insistindo com o meu irmão e tentando preparar tudo para que a peregrinação acontecesse. Queria que aquele plano deixasse de ser apenas uma ideia e passasse finalmente a ser realidade.

Mas a vida, às vezes, escreve histórias diferentes daquelas que nós imaginamos.

Aconteceram várias coisas pelo caminho e houve uma grande reviravolta. Os planos mudaram completamente. Em vez de partir a pé para Santiago de Compostela com o meu irmão, a Marina e o Zé, acabei por viver outras aventuras: fui à Suíça e ao Europa-Park e depois viajei até à Suécia para ver o Luke Combs.

Foram experiências incríveis, que guardarei para sempre. Mas, apesar de tudo, ficou uma história por contar.

A história da nossa peregrinação a Santiago.

E eu ainda não desisti.

Talvez esta não tenha sido a altura certa. Talvez a estrada tenha decidido esperar por nós mais algum tempo. Mas acredito que um dia vou conseguir fazer esta peregrinação com o meu irmão, a Marina e o Zé.

Não vai ser agora.

Mas será um dia.

E quando esse dia chegar, talvez eu olhe para trás e perceba que todas estas mudanças fizeram parte do caminho. Porque uma peregrinação não começa necessariamente quando colocamos os pés na estrada. Às vezes, começa muito antes, quando começamos a sonhar com ela.

Santiago de Compostela continua lá.

O caminho continua à nossa espera.

E, quando chegar o momento certo, haveremos de partir.

Se este texto vos pareceu especialmente épico, existe uma explicação: enquanto o escrevo, estou a ouvir o magnífico tema de Robin Hood, do maestro Michael Kamen. Portanto, na minha cabeça, esta simples história de uma peregrinação que não aconteceu transformou-se praticamente na banda sonora de uma grande aventura.

A peregrinação foi adiada. A aventura, essa, ainda não terminou.




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