Quando o elogio faz lembrar uma experiência difícil
Está tudo a elogiar o Rúben Pacheco Correia por
criticar o apresentador Cláudio Ramos.
Mas o que muitos não sabem é que, na minha
perspetiva, ele acabou por fazer algo semelhante comigo. E eu sou autista. Sim,
eu sofri aquilo que senti como bullying por parte do Rúben Pacheco Correia. Dá
para acreditar?
Eu falava com ele da mesma forma que falo com o
meu amigo Rui Veloso. Um dia, porém, escreveu-me a dizer para parar de o
chatear, que não estava para me aturar, que não me conhecia de lado nenhum e
que, se voltasse a falar com ele, me bloqueava. Disse ainda que não éramos
amigos e que isso era tudo da minha cabeça.
Agora que vejo tanta gente a elogiá-lo, não podia
ficar calado. Na minha perspetiva, ele fez-me sentir da mesma forma.
Ele sabia que eu tinha autismo. Quando lhe disse
que era autista, senti que deixou de interagir comigo da mesma maneira: começou
a responder menos e, muitas vezes, a ignorar-me. Só voltou a falar comigo
quando lançou um novo livro, o que me fez acreditar que existia uma amizade.
Por isso, quando pensarem em elogiá-lo, lembrem-se
também de que houve um autista que viveu uma experiência muito diferente com
ele.
Desculpem
falar sobre isto, mas precisava de o dizer.


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