Não é só um filler: o episódio de Naruto que me fez chorar

 

Lá estava eu a ver um vídeo do Naruto que me apareceu no Instagram. À primeira vista parecia apenas mais um clipe perdido no meio do feed, mas bastaram poucos segundos para perceber que havia ali algo diferente. A cena era profundamente comovente — pesada, silenciosa, daquelas que se instalam no peito sem pedir licença.

Shikimaru ainda não conseguiu fazer o luto pelo seu mestre. Desde o enterro, vagueia pela aldeia como uma sombra de si próprio, vazio, distante de tudo e de todos. Nos seus pensamentos, há apenas uma ideia fixa: vingança. Não há espaço para mais nada — nem para descanso, nem para dor, nem para aceitação.

É então que o pai entra em cena. Com uma firmeza quase dura, leva-o até ao limite emocional. Coloca-o frente a frente com aquilo que ele tem evitado sentir. O momento explode quando Shikimaru, incapaz de conter a pressão dentro de si, atira o tabuleiro de shogi pelos ares. As peças espalham-se — um caos que reflete exatamente o que vai dentro dele.

E é aí que vem a frase que muda tudo.

O pai diz-lhe que ele deve chorar. Que precisa de deitar tudo cá para fora.

Sem discursos longos, sem dramatizações excessivas — apenas a verdade crua.

Shikimaru cede.

E chora.

Chora até não conseguir mais, como se cada lágrima fosse uma parte do peso que finalmente se liberta. Não é um choro bonito, nem contido — é real. Doloroso. Necessário. Um daqueles momentos raros em que um anime deixa de ser apenas entretenimento e se torna humano.

Quando o vídeo termina, percebo que também estou a chorar. Lágrimas a cair pelo rosto, sem aviso. Em casa, pensaram que me tinha acontecido alguma coisa. Quando perceberam que era por causa de Naruto, reagiram com aquele misto de surpresa e brincadeira — a levar a mal, mas no bom sentido.

Mas quem viu, sabe.

Este episódio — o 88 — pode até ser considerado filler. Pode não existir no manga. Mas há coisas que não se medem pela “canonicidade”. Medem-se pelo impacto. Pela forma como nos atingem. Pela forma como nos fazem sentir.

E este episódio faz tudo isso.

A animação está impecável, com uma atenção especial aos pequenos detalhes que intensificam a emoção de cada cena. A banda sonora acompanha na perfeição, elevando cada momento sem nunca o sobrecarregar. Tudo trabalha em conjunto para criar algo raro: uma experiência genuinamente memorável.

Mais do que uma história sobre vingança, este episódio é sobre dor, perda e, acima de tudo, sobre a importância de sentir — mesmo quando dói.

Se nunca viste, vê.

E se já viste… talvez esteja na altura de rever.

Porque há episódios que não envelhecem — apenas ganham mais significado com o tempo.

filler mas para mim é o melhor episodio do Naruto, boa animação e banda sonora que sim para mim faz parte do anime mesmo não estando na manga.


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