Eu Sobrevivi ao Voltron

 

 Posso chamar este texto de “Eu Sobrevivi ao Voltron”, porque foi exatamente isso que aconteceu.Fui ao Europarque e decidi enfrentar a montanha-russa mais difícil e intensa do parque. Mal acabei o primeiro passeio, a cabeça já me andava à roda. O Zé, ao ver o meu estado, ficou preocupado. Com medo que eu tivesse cristais (como a minha mãe), aconselhou-me a não andar mais. Disse que só o fizesse se realmente quisesse. Eu sabia que já tinha andado pelo menos uma ou duas vezes… e, mesmo assim, resolvi voltar.Foi aí que o verdadeiro desafio começou.Segurei-me com força ao braço do Zé, agarrada a ele como se a minha vida dependesse disso. Gritei até ficar sem voz. Em certa altura, ele gritou: “Abre os olhos!”. Abri… e estava completamente de cabeça para baixo. O mundo girava, o vento cortava a cara e o looping parecia não ter fim. O carrinho subia, caía, virava e rodopiava sem piedade. Num momento de puro desespero, gritei para o Zé:
“Mas isto nunca mais acaba?!”Quando finalmente parou, larguei o braço dele com as pernas a tremer e a cabeça completamente zonza. Parecia que o mundo ainda rodava à minha volta. O Zé olhou para mim, orgulhoso, e disse que eu tinha sido muito corajoso só por ter entrado e aguentado até ao fim.E quer saber? Apesar de tudo, adorei outras montanhas-russas do parque! A do Artur e os Mínimos foi pura diversão, e a portuguesa, inspirada nos Descobrimentos, deixou-me com um enorme orgulho. Havia ainda várias outras que não sei bem explicar, mas que me fizeram sorrir de orelha a orelha.No final do dia, uma coisa ficou bem clara: eu entrei no Voltron, enfrentei o medo de frente e saí viva do outro lado.Eu sobrevivi ao Voltron. E sobrevivi com uma história para contar para o resto da vida.

 

André Vilaça




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