Redescobrir Harry Potter: Quando a Magia Volta a Parecer Real
Recentemente vi o documentário Encontrando Harry – The Craft Behind the Magic, um presente oferecido aos fãs nesta Páscoa.
Para ser sincero, nunca fui grande fã do mundo de
Harry Potter tal como nos foi apresentado nos filmes. Enquanto nos livros havia
sempre aquela sensação mágica de que aquele universo podia, de alguma forma,
existir secretamente no nosso mundo, nos filmes tudo me parecia demasiado
artificial — excessivamente fantástico, quase distante da realidade.
Agora, com esta nova adaptação que vai reimaginar
o universo de Harry Potter a partir do primeiro livro, fiquei genuinamente
surpreendido e entusiasmado com o que nos foi mostrado. Pela primeira vez,
senti que aquele mundo podia mesmo coexistir com o nosso — escondido, mas
possível.
Gostei particularmente da forma como os
feiticeiros estão mais ligados à natureza. Hogwarts surge não apenas como um
castelo medieval, mas como um espaço vivo, onde elementos naturais — como
árvores no interior — fazem parte da própria identidade do lugar. Isso dá-lhe
uma autenticidade e um encanto muito especiais.
Outro detalhe que me agradou foi o facto de a
história se manter fiel ao ano de 1991, tal como ele foi na vida real. Ao
vermos a série, parece que estamos também a fazer uma viagem no tempo, o que
reforça ainda mais essa sensação de realismo.
O mundo dos feiticeiros é apresentado como uma
extensão do nosso, mas com um toque medieval — não algo torto, sombrio ou
decadente, mas sim vibrante e cheio de vida. As roupas dos feiticeiros são mais
alegres, mais expressivas, e fazem-nos pensar: “Será que aquela pessoa é um
feiticeiro?” Essa proximidade com o nosso quotidiano torna tudo mais
envolvente.
A estação de Hogwarts, por sua vez, aparece mais
antiga e sóbria, o que faz todo o sentido — afinal, várias gerações passaram
por ali no caminho para Hogwarts. Há uma história naquele espaço, e isso
sente-se.
Fiquei também satisfeito por ver que Ron, Hermione
e Harry parecem muito fiéis às suas versões dos livros. Em relação ao Snape,
confesso que inicialmente era contra a escolha de um ator negro. No entanto,
mudei de opinião: não há razão para que não existam feiticeiros negros. Limitar
esse universo a um só tipo de representação não faz sentido. Além disso, os
Marotos nunca foram propriamente exemplos de virtude — nos livros,
comportaram-se como verdadeiros idiotas (para não dizer pior) e só amadureceram
mais tarde. Eles tornaram a vida do Snape um inferno, e quem já sofreu bullying
— como eu — sabe bem o que isso significa.
O único ponto negativo deste documentário é mesmo
a sua curta duração. Sabe a pouco. Fiquei com vontade de explorar muito mais
este novo mundo de Harry Potter.
Gostei também de saber que Nick Frost, o ator que
dará vida a Hagrid, é o narrador do documentário. Curiosamente, graças ao
Herculano, tenho um autógrafo dele — sem sequer imaginar que viria a fazer
parte deste universo.
Recomendo vivamente este documentário. É tão
mágico quanto promete ser esta nova série.
—
André Vilaça



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