O conto de Asimov que me deixou de boca aberta

 

Ontem li um conto de ficção científica de Isaac Asimov chamado Vitória Involuntária, e simplesmente não consegui parar até chegar ao fim. É um conto curto, com apenas quatro ou cinco páginas, mas consegue prender o leitor do início ao fim de uma forma impressionante.

A história acompanha a viagem de três robôs enviados até ao planeta Júpiter. Os humanos suspeitavam de um possível ataque vindo desse planeta e, como a atmosfera de Júpiter é impossível de respirar, decidiram enviar robôs para investigar a situação. Esses robôs — conhecidos como ZZ — tinham uma missão clara: descobrir se havia realmente uma ameaça.

Ao chegarem, deparam-se com algo inesperado: Júpiter é habitado. Os seus habitantes não sabem o que são robôs, nem sequer imaginam a sua existência, mas recebem-nos de forma amigável e curiosa. Ao longo da investigação, os robôs fazem coisas que parecem impossíveis — entram dentro de água, não dormem, manipulam óleo ardente e demonstram uma força extraordinária. Para os habitantes de Júpiter, aquilo só pode significar uma coisa: aqueles são os próprios humanos.

E é precisamente essa interpretação que muda tudo. Convencidos de que os humanos possuem tais capacidades, os habitantes de Júpiter acabam por abandonar qualquer ideia de ataque.

Quando se chega ao final, é impossível não ficar surpreendido. É daqueles finais que nos deixam de boca aberta, a pensar na genialidade da reviravolta. Foi exatamente isso que senti ao terminar a última linha — um misto de admiração e surpresa que me ficou na cabeça até adormecer.

Adoro os contos de Isaac Asimov. São incrivelmente bem escritos, inteligentes e conseguem, em poucas páginas, criar ideias que ficam connosco durante muito tempo. Tinha mesmo de partilhar este conto, porque o final deixou-me verdadeiramente impressionado.

                                                                                                                                   André Vilaça




 

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