Quando a música dá a volta e regressa a quem nos inspirou

 

O que vos vou contar é verdade, aconteceu mesmo na semana passada — e ainda hoje sorrio sempre que me lembro.

Para começar este episódio, convém dizer que foi o Rui Veloso quem, sem saber, me sugeriu muita da música que hoje faz parte da minha vida. Foi graças a ele que fiquei um grande fã dos Pink Floyd, e também que comecei a descobrir bandas e cantores de blues que até então me eram completamente desconhecidos. Há artistas que nos acompanham assim: não só pelas canções, mas pelas portas que nos abrem.

Lembram-se de eu ter partilhado aqui a capa de “Father and Sons” e de ter escrito uma das muitas críticas que já fiz a vinil? Pois bem, decidi enviar essa crítica ao próprio Rui Veloso. Confesso que não estava à espera de grande coisa — como tantas outras, achei que seria apenas mais uma reflexão perdida no meio do ruído do Facebook e do Instagram.

Mas não foi.

O Rui ficou curioso, ouviu o CD… e disse-me que ficou fã do Luke Combs, especialmente daquele vinil que eu tanto adoro. Mais ainda: contou-me que é o CD que mais ouve quando tem de andar de carro de um lado para o outro.

Parem um segundo para pensar nisto.

Uma crítica que escrevi, quase de forma íntima, acabou por chegar a quem sempre me inspirou musicalmente. O Rui Veloso tomou atenção ao que eu disse, ouviu com tempo e hoje anda a ouvir Luke Combs e “Father and Sons”. Eu sugeri um vinil ao Rui Veloso — e ele gostou.

Isto é daquelas coisas que deixam qualquer fã verdadeiramente feliz. Seja fã do Rui Veloso, seja fã do Luke Combs, seja apenas alguém que acredita que a música continua a criar pontes improváveis entre pessoas.

Às vezes, vale mesmo a pena escrever. Nunca sabemos quem está a ouvir. 🎶

                                                                                                         André Vilaça


 






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