Uma Conversa de Natal sobre o Budismo
Na semana de Natal tive uma conversa com o meu irmão sobre religião. Entre
vários temas, acabámos por falar de Budismo. Ele dizia que existiam muitos
Budas e que eu não seguia correctamente a religião que tinha escolhido.
De facto, segundo a tradição, existiram quatro Budas. O quarto Buda,
Siddártha Gautama, é considerado o fundador do Budismo. Na sua biografia está
escrito que o terceiro Buda lhe mostrou o caminho. Antes de se tornar Buda,
Siddártha passou por várias seitas indianas do seu tempo, mas acabou por
rejeitá-las por não acreditar que representassem a verdade.
Uma das práticas que ele mais criticava era a ideia de sofrer nesta vida
para ganhar um lugar no céu. Buda era totalmente contra isso. Ele acreditava e
ensinava que a felicidade estava aqui, na Terra, para ser vivida enquanto
estamos vivos. Por isso, defendia uma vida vivida com alegria, equilíbrio e
consciência.
Pessoalmente, não considero o Budismo uma religião, mas sim um modo de
vida. Para mim, o mais importante é seguir os ensinamentos de Buda. Não preciso
de ir a templos nem de fazer rezas. Basta viver de acordo com esses
ensinamentos e procurar a alegria e a paz interior, tal como ele ensinou.
Acredito na reencarnação. Muitos falam do karma como se fosse apenas um
conceito popular, mas foi Buda quem ensinou esse princípio. Confesso que me
incomoda quando algumas novelas brasileiras falam da reencarnação como se fosse
algo cristão, quando, na verdade, essa ideia vem do Budismo.
Também não gosto quando dizem que Buda dá dinheiro ou sorte. Buda não é
aquele “Deus gordo da sorte” que muitas pessoas associam ao Budismo. Essa
figura chama-se Hotei (ou Hentéi) e pertence aos sete Deuses da sorte do Japão,
estando ligado ao xintoísmo, não ao Budismo. Por isso, não adianta colocar
fotos dele sete vezes no Facebook à espera de sorte — ele não é Buda, nunca
foi.
Da mesma forma, o Dalai Lama não é a reencarnação do Buda. Segundo os
ensinamentos, Buda afirmou que a sua quarta vinda seria a última reencarnação.
Para mim, o Budismo é clareza, consciência e alegria de viver — aqui e
agora.
André Vilaça


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