Um Dia que Parecia Sonho
Ontem vivi um daqueles
dias que a memória guarda com cuidado, como quem fecha um livro precioso para o
revisitar mais tarde. Passei o dia com alguém que admiro profundamente: o
professor Marco Neves. Ainda hoje, ao recordar tudo, tenho dificuldade em acreditar
que não foi um daqueles sonhos estranhos em que acordo confusa — como quando
sonho com o Jack Black e, no fim, percebo que afinal era só imaginação.
Mas
desta vez não. Desta vez foi real.
Almoçámos
juntos, conversámos como velhos amigos que se reencontram depois de muito
tempo, mesmo que a amizade ainda esteja a crescer. Depois seguimos para o
Jardim Botânico e visitámos a casa de infância de Sophia de Mello Breyner —
cenário perfeito para quem gosta de palavras, histórias e da beleza tranquila
das coisas simples. Por momentos, enquanto o ouvia falar, imaginei-me a
congelar a cena como uma fotografia para não a deixar escapar.
Fiquei a pensar: como é possível que alguém que admire tanto se
torne, de repente, presença tão próxima?
Falámos de tudo: das minhas viagens, dos caminhos que já percorri, da
minha grande aventura até à Suécia para ver o cantor norte-americano Luke
Combs, dos meus projetos, dos meus sonhos. E ele ouviu-me com genuína atenção,
como um amigo que torce por nós sem reservas.
Hoje posso dizer — com a serenidade de quem sentiu algo bonito a
acontecer — que o professor Marco Neves é, sim, um dos meus amigos. Quem sabe,
um dia, seja eu a visitá-lo em Lisboa, para mais conversas, mais histórias e
mais daqueles momentos que aquecem o coração.
Obrigada, professor Marco Neves. Agora, sim: posso chamar-te amigo.



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