Avançar para o conteúdo principal
Um Conto de Natal Português
Era uma vez, em Oliveira do
Bairro, três grandes amigos: André, Hugo e Zé. O Zé vivia sozinho e, naquele
ano, parecia que ia passar o Natal sem companhia. Mas André e Hugo decidiram
fazer-lhe uma surpresa inesquecível. Na véspera de Natal, André e Hugo
apareceram à porta da casa do Zé com um pinheiro enorme, caixas cheias de
enfeites e sacas com comida. O Zé ficou boquiaberto.
— O que é que vocês estão aqui
a fazer? — perguntou, admirado.
— Vamos passar a ceia de Natal
contigo! — responderam eles.
Os olhos do Zé marejaram-se de
lágrimas. Ele não queria que os amigos abandonassem as famílias num dia tão
especial, mas André disse-lhe, com um sorriso:
— Zé, tu também és da nossa
família.
Os dois amigos ergueram o
pinheiro – tão grande que quase não cabia na sala. O Zé, feliz da vida,
perguntou o que podia fazer para ajudar. Hugo respondeu:
— Senta-te aí, Zé. Hoje, quem
trata de tudo somos nós.
Abriram as caixas, montaram o
pinheiro, penduraram bolas, luzes e bonecos. Hugo, ansioso, levantou-se para
endireitar tudo:
— É assim que se faz um pinheiro
de Natal!
Por fim, os três pegaram na
estrela e colocaram-na no topo. Hugo sorriu:
— Peçam um desejo, rápido!
Depois, Hugo sugeriu montar uma
mesa típica de Natal. O Zé disse que não tinha nada em casa, mas André pousou
uma saca na mesa da cozinha:
— A minha mãe pensou em tudo.
Estenderam a toalha vermelha de
Natal, arrumaram pratos, copos, talheres novos. Hugo trouxe flores do seu
quintal – azevinhos e poinsétias – e colocaram velas no centro. Os três
cozinharam juntos: bacalhau com batatas, doces caseiros. André pôs músicas de
Natal no telemóvel – Frank Sinatra a cantar clássicos – e, quando deram por
ela, já eram 19 horas.
— Vamos vestir-nos a rigor para a
ocasião — sugeriu André.
Subiram ao andar de cima e vestiram a melhor roupa. O Zé apareceu com
uma gravata nova:
— Não sei se é importante, mas
vou usar a que os meus sobrinhos me ofereceram.
— Claro que é, Zé. No Natal,
tudo é importante — disse Hugo.
Desceram, acenderam a lareira,
viram programas de Natal na televisão. Quando os sinos da igreja tocaram as 20
horas, o Zé trouxe o bacalhau para a mesa, André acrescentou rabanadas e doces
feitos pela mãe e pela irmã do Hugo. Sentaram-se, o Zé levantou-se para
agradecer, pediu ao Hugo e a André que fizessem o mesmo. Comeram, riram, e
depois André pegou na máquina fotográfica:
— Vamos tirar uma foto de Natal!
Tiraram várias, uma delas no
sofá, os três juntos – perfeita.
Mais tarde, jogaram xadrez. O
Zé era imbatível, até que André ganhou uma partida. O Hugo deitava-se no sofá a
ver guitarras caras na internet. Já de madrugada, ouviram um barulho no
telhado. O Zé pegou num taco de basebol:
— Fiquem aí, eu vou ver quem é.
Ao abrir a porta, alguém caiu
da chaminé. Era o Pai Natal, desmaiado! Tocou-lhe com o taco, o Pai Natal
mexeu-se, atirou um floco de neve ao ar que iluminou o céu e murmurou:
— Salvem o Natal… as renas
saberão o que fazer.
Viraram-se e viram o trenó com
renas na rua. Levaram o Pai Natal para dentro. Bateram à porta: era um duende,
parecido com o do filme "Elf", chamado Herculano.
Herculano explicou: o Pai Natal
partira a perna na queda. O Zé seria o substituto. Num instante, o Zé vestiu o
fato vermelho, André e Hugo tornaram-se duendes. Subiram ao telhado, saltaram
para o trenó:
— As renas sabem o que fazer!
Voaram pelos céus de Portugal,
entregando presentes. A última casa foi num bairro social: dois rottweilers,
uma menina assustada, um pai armado. Escaparam por magia, com o escudo natalino
do Zé a protegê-los.
Por fim, as renas levaram-nos
ao Pólo Norte: uma praça mágica, milhares de duendes, crianças bem-comportadas,
estátuas de Pais Natais históricos. Um urso polar recebeu-os. O Pai Natal
contou a história: descendente de elfos e São Nicolau, com orelhas pontiagudas.
Ao amanhecer,
regressaram. Acordaram em casa do Zé, de pijama. André e Hugo contaram o mesmo
sonho louco. Mas junto ao pinheiro havia montes de presentes
– todos para eles, exatamente o
que desejavam.
Abriram-nos com chocolate quente,
felizes. O Zé foi à casa de banho, olhou ao espelho… e viu, escondidas no
cabelo, pequenas orelhas pontiagudas de elfo. Sorriu, tocou nelas. Não era
sonho. Uma parte dele ficara mágica para sempre. Aquele Natal mudara tudo:
provara que a amizade verdadeira é a maior magia, e que, às vezes, o espírito
do Natal escolhe os mais inesperados para o salvar. E assim, em Oliveira do
Bairro, os três amigos viveram o Natal mais incrível de sempre.
Feliz Natal!

Comentários
Enviar um comentário