O problema das sagas que não sabem largar o vilão

 

Um dos grandes problemas de sagas como Matrix e Avatar é a incapacidade de mudar de vilão. Quando surge um vilão original, ele raramente assume o protagonismo total ou acaba sempre relegado para segundo plano. O resultado é a repetição excessiva do mesmo antagonista, o que enfraquece a narrativa e tira impacto aos filmes seguintes.

Comecemos por Matrix. No primeiro filme temos um grande vilão: o icónico Mr. Smith. Ele representa perfeitamente o sistema, a opressão e o inimigo inevitável da humanidade. No entanto, ele “morre” logo no primeiro filme, precisamente quando Neo se torna o Escolhido. A partir daí, seria lógico esperar um novo vilão memorável no segundo filme, alguém à altura do Neo evoluído. Mas não: temos novamente o Mr. Smith. Ele volta no segundo filme, no terceiro e, para fechar o ciclo, ainda regressa no quarto filme — desta vez interpretado por outro ator. A insistência transforma uma grande ameaça numa repetição cansativa.

Em Avatar acontece algo muito semelhante. O coronel Miles Quaritch é, sem dúvida, um dos melhores vilões do cinema recente, tal como o Mr. Smith. Ele morre no primeiro filme, cumprindo o seu papel narrativo. Ainda assim, regressa como vilão no segundo e no terceiro filme. Mais uma vez, os vilões secundários nunca chegam a ser verdadeiramente vilões principais. Estão lá, mas nunca têm peso suficiente para substituir o antagonista original.

Percebo que os estúdios queiram um vilão memorável ao longo de uma trilogia, como aconteceu com Darth Vader. Mas há uma diferença fundamental: Darth Vader não morreu no primeiro filme da trilogia original de Star Wars. Ele só morre no terceiro filme, o que justifica perfeitamente a sua presença constante. Em Matrix e Avatar, os vilões morrem… e mesmo assim regressam, o que enfraquece o impacto das suas mortes e da própria história.

Além disso, estou cansado de tantos filmes de Avatar. Tal como Matrix, devia ter terminado no primeiro filme. O mesmo vale para Star Wars, que poderia muito bem ter acabado em O Regresso de Jedi. Nem todas as histórias precisam de se transformar em sagas intermináveis.

Gostava de ver James Cameron a voltar a fazer grandes filmes originais como O Exterminador do Futuro ou Titanic. Neste momento, ele parece obcecado pelo povo Na’vi e pelo mundo de Pandora. O problema não é o primeiro Avatar, que é um bom filme, mas sim a repetição constante: os humanos são derrotados, juntam-se a um povo “mau” de Pandora, lutam contra os Na’vi, há uma grande guerra e tudo volta ao mesmo. No filme seguinte, o coronel sobrevive, faz um pacto com outro povo e ataca novamente os Na’vi. A fórmula repete-se sem grandes surpresas.

No fundo, vivemos numa era dominada por continuações, remakes, filmes de super-heróis e live actions que muitas vezes destroem a essência dos filmes de animação originais. Falta coragem para contar histórias novas, com vilões novos e ideias realmente diferentes. Enquanto isso não mudar, continuaremos presos às mesmas histórias… com os mesmos vilões de sempre.






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