A Rua em Cerejeira em Flor – A História de um Livro que Floresceu ao Longo de 12 Anos

 

 

         Tudo começou há doze anos, com um simples conto que escrevi depois de ler, vezes sem conta, as histórias medievais do rei Artur que o Zé me emprestava.
         Nesse primeiro conto, o Artur Lopes dançava vestido de Pai Natal — mas, numa reviravolta divertida, usava apenas uns boxers da cintura para baixo.

        Mais tarde, o Artur Lopes deu lugar a outro personagem: Rodrigo Bettencourt, protagonista de O Natal dos Bettencourt. Nesse conto, Rodrigo queria ele próprio escrever uma história de Natal. A partir daí, nasceu a ideia de criar As histórias que a mãe contava no Natal, sobre um rei elfo, amigo do Pai Natal — um mestiço elfo, com um coração generoso e um toque de magia.

          Depois, escrevi outro conto em que eu próprio conhecia o Rodrigo Bettencourt e ele me contava como a sua família, um tanto louca e encantadora, celebrava o Natal. Esse conto era especial: tinha um prefácio escrito pelo meu irmão. Infelizmente, nunca chegou a ser editado.

        Tinha em mente que o livro começasse assim:

“Lembro-me bem do último Natal em que toda a família se reuniu na casa do Douro. Estavam todos lá: irmãos, primos, avós... A casa transbordava daquela alegria típica das grandes famílias.
Na sala, o meu tio Rodrigo, como sempre, era o centro das atenções — dançando pelo meio da sala, vestido de Pai Natal. Mas, numa das suas típicas extravagâncias, usava apenas uns boxers da cintura para baixo…”

        A certa altura, comecei a questionar-me: quem seria o narrador desta história?
          Quem contaria a vida do Rodrigo?

          Guardei o conto numa gaveta, até ao dia em que fui à Suíça. Quando lá cheguei, vi os sobrinhos do Zé a correr para o abraçar, felizes por o ver — e sem sequer saberem que ele vinha. Nesse momento, percebi que o narrador podia ser um sobrinho.

           Então, a minha cabeça de escritor começou a trabalhar: como se chamaria esse narrador?
           Lembrei-me do meu sobrinho mais velho, que criei como se fosse meu filho — e assim nasceu o Filipe, o narrador da história.

            Durante o confinamento, escrevi a continuação do livro. Descrevi os medos, as incertezas e tudo o que aconteceu na vida do tio Rodrigo durante aqueles tempos estranhos.

           Sempre quis escrever uma história de amor — uma daquelas grandes e intemporais, ao estilo de Amor de Perdição, Romeu e Julieta, Titanic ou mesmo Tristão e Isolda de Wagner.
          Mas queria um final feliz.

            E assim nasceu o romance entre Rodrigo e Teresa. A Teresa tem muito das mulheres das canções de Luke Combs — fortes, sinceras, apaixonadas.

             Mais tarde, surgiu o Quim Zé. Escrevi um conto para o Zé, em que eu tinha um filho com esse nome, e o Zé tomava conta dele.               Quando o professor Paulo leu, disse-me:

“Tens de salvar o Quim Zé.”

             Então decidi integrar o adolescente na história principal — o Quim Zé tornou-se filho do narrador e afilhado do tio Rodrigo. Os dois partilham um segredo: falam em elfo que será essencial para o desfecho do livro.

              Depois de doze anos de escrita, revisões e sonhos, o livro ficou pronto.
              Mostrei-o ao professor Paulo e ao meu irmão, também Paulo. Ambos adoraram e disseram que era o meu melhor trabalho.
             O professor Marco Neves gostou tanto que quis escrever o prefácio e ajudar-me na edição.
           Mais recentemente, a minha amiga Dra. Augusta Azeredo deu-me uma preciosa ajuda na edição do livro
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E agora, com grande alegria, posso dizer:
📘 “A Rua em Cerejeira em Flor” sai em dezembro.

            Espero que gostem de o ler tanto quanto eu gostei de o escrever.




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