“Um Rio que Desagua em Buda”
Sou budista há 26 anos. Tinha 18 anos quando
comecei a entrar numa depressão, e foi através dos ensinamentos de Buda que
encontrei apoio e orientação. Tudo começou com um livro chamado Introdução ao Budismo, no qual
um estudioso das religiões viaja até ao Japão para aprender sobre o Budismo e
depois partilha esse conhecimento com as suas filhas, ainda crianças. Foi assim
que comecei a conhecer Sidarta Gautama, o quarto Buda, na sua última
encarnação.
Sei que algumas pessoas dizem que eu não levo o
Budismo a sério, mas isso não é verdade. Já li muitos livros sobre o tema e
continuo a aprofundar o meu conhecimento. Inclusive, costumo oferecer alguns
desses livros ao Zé, para que ele possa compreender melhor a minha religião.
Ele demonstra interesse, ao contrário de muitos outros que simplesmente não
querem saber.
Houve uma vez em que publiquei no Facebook que,
segundo a tradição coreana, naquele dia específico se celebrava o nascimento de
Buda. A publicação praticamente não teve reação — apenas um “gosto” do meu
melhor amigo. Mais tarde, comentei isso com o André Ferreira, que me disse que,
sendo Portugal um país maioritariamente cristão, é natural que o Budismo não
desperte muito interesse. Respondi-lhe:
— Mas para pedir dinheiro e sorte, já se interessam.
E, mesmo assim, muitas vezes nem estão a
dirigir-se a Buda, mas sim ao chamado “Deus gordo da sorte”, que nada tem a ver
com o Budismo.
Como dizia, tenho vários livros sobre o assunto e
também algumas representações de Buda. A minha preferida é um Buda de estilo
chinês. Procuro seguir os seus ensinamentos e acredito na reencarnação. Além
disso, tenho a oportunidade de conversar com um mestre budista chamado João
Magalhães, um dos homens mais sábios que já conheci.
Não sinto necessidade de frequentar templos para
acreditar em Buda. Aliás, o próprio Buda não desejava ser venerado, mas sim que
os seus ensinamentos fossem compreendidos e seguidos — e é isso que procuro
fazer.
Gosto especialmente de uma frase que li, e que
penso ser de João Magalhães:
“Buda é um mar, e nós somos um rio que desagua nele, através dos seus
ensinamentos.”
Eu refugio-me em Buda.
Obrigado por me ouvirem.
André
Vilaça



Comentários
Enviar um comentário