Lusitânia Ibérica: Crónicas de uma Escola Oculta

 

Lusitânia Ibérica — Escola de Feitiçaria e Encantamentos
Excerto de um compêndio de História da Magia Ibérica

Entre os picos elevados e as brumas ancestrais da Serra da Estrela ergue-se, discreta e quase invisível aos olhos dos não-iniciados, a Escola de Feitiçaria Lusitânia Ibérica. Guardada pelo curso sereno do rio Zêzere — cujas águas ocultam sereias e outros seres mágicos —, esta instituição é um dos mais antigos centros de ensino mágico da Península.

O seu brasão, carregado de simbolismo, representa as quatro casas que estruturam a vida escolar: o Urso, símbolo de força e resistência; o Leão Alado, que encarna coragem e nobreza; o Dragão, associado ao poder e à sabedoria ancestral; e a Fénix, imagem de renascimento e esperança. Cada criatura reflete não apenas qualidades mágicas, mas também traços fundamentais do caráter dos seus alunos.

A fundação da escola remonta ao reinado de D. Dinis. Conta a tradição que o monarca, durante uma caçada, foi atacado por um urso e salvo por um misterioso feiticeiro. Em sinal de gratidão — e reconhecendo o valor da magia — D. Dinis terá apoiado a criação de um local seguro onde o conhecimento arcano pudesse ser ensinado e preservado. Assim nasceu Lusitânia Ibérica, um espaço onde magia e história caminham lado a lado.

Ao longo dos séculos, a escola foi guiada por vários diretores, mas nenhum tão enigmático quanto o atual: Zenão Ludovico. De ascendência élfica mestiça, Zenão vive há tanto tempo que testemunhou a passagem de inúmeras gerações de alunos. Apesar de, no íntimo, desejar uma vida tranquila entre os elfos, continua a exercer o cargo por insistência dos pais e da comunidade mágica, que reconhecem nele uma sabedoria rara e indispensável.

Embora o mundo mágico moderno tenha sido amplamente explorado por diversas autoras e cronistas, as histórias da Lusitânia Ibérica permaneceram, durante muito tempo, desconhecidas do grande público. Ainda assim, dentro das suas muralhas invisíveis, gerações de jovens feiticeiros continuam a aprender, crescer e descobrir o seu lugar no mundo mágico ibérico.

Este é apenas um vislumbre de uma tradição rica e silenciosa — um legado que, até há pouco tempo, vivia apenas na imaginação de quem o criou, mas que agora começa, finalmente, a ser partilhado.



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