«Asul na Erhiya – O Fogo do Demônio».
Era um domingo. O sol brilhava
forte no céu enquanto eu e o meu parceiro de treino, o Zé, terminávamos mais
uma sessão intensa. O suor escorria pelo rosto, os músculos doíam, mas a
sensação de missão cumprida enchia-nos o peito.Foi então que olhei para ele,
ainda ofegante, e decidi revelar um segredo que apenas os grandes Gurus
conheciam. Um conhecimento proibido, transmitido apenas entre aqueles
destinados a algo maior. O meu irmão, sendo um deles, havia-me ensinado essa
técnica ancestral.
— Nas Filipinas antigas — comecei,
com um tom misterioso —, os chefes das tribos possuíam um poder místico, algo
que usavam contra os invasores. Apenas os grandes Gurus conseguiam dominá-lo.
Zé franziu a testa, curioso:
— Algo místico? Como assim?
Olhei-o nos olhos, segurando um
sorriso, e revelei:
— Uma energia concentrada... Algo
como o Hadouken do Street Fighter.
Ao ouvir aquilo, Zé caiu na
gargalhada.
— André, tu andas a ver
demasiado jogo antigo!
Mas então...Juntei as mãos lentamente
à frente do corpo, uma palma voltada para a outra, como se segurasse uma bola
invisível. Fechei os olhos e concentrei toda a minha energia interior. O ar ao
meu redor começou a vibrar. Uma brisa quente surgiu do nada. Senti o calor do
sol, o pulsar da terra e o fluxo invisível da vida concentrarem-se entre as
minhas mãos. Abri os olhos de repente e empurrei as palmas para a frente com
força.— Asul na Erhiya!Uma esfera de energia azul brilhante explodiu das minhas
mãos, rodopiando violentamente enquanto avançava alguns metros à nossa frente.
Era uma bola de ki compacta e feroz, com um brilho elétrico intenso e um rugido
grave, quase como o som de uma onda de energia pura. A esfera girava sobre si
mesma a alta velocidade, deixando um rastro de faíscas azuis no ar, antes de se
dissipar num clarão explosivo contra uma parede distante.
Zé deu um passo atrás, os olhos
arregalados de espanto.
— Caramba... que foi isto?!
Mantive a postura por mais um
segundo, sentindo o resquício da energia a percorrer os meus braços, e depois
relaxei.
— Os filipinos chamavam-lhe Asul na
Erhiya. Quando os espanhóis presenciaram este poder pela primeira vez, ficaram
aterrorizados e deram-lhe o nome de “fogo do demônio”.
Zé ainda estava pasmo, mas a
incredulidade rapidamente se transformou em puro entusiasmo.
— Uau... Isso é brutal! Eu também
posso aprender?
Assenti, mas avisei-o com
seriedade:
— Podes... Mas há uma condição. Só
podes usar a técnica depois de te tornares um Guru.
Ele riu, abanando a cabeça.
— Coisa que eu acho impossível de
acontecer!
Suspirei e sentei-me no chão,
batendo com a mão no espaço ao meu lado para que ele fizesse o mesmo.
— Para dominares a Asul na Erhiya,
precisas primeiro sentir tudo ao teu redor: o vento, o calor do sol, o pulsar
da terra... Depois, concentras toda a tua energia no baixo-ventre, fazes subir
pelo corpo e canalizas para as mãos. Junta as palmas e empurra com intenção.
Agora tenta.Zé engoliu em seco.
— Mas... como?
— Faz como eu.
Juntei as mãos novamente,
respirei fundo e concentrei-me. Desta vez gritei com mais força:
— Asul na Erhiya!Uma nova esfera
azul, ainda mais brilhante e estável, saiu disparada das minhas mãos com um som
mais grave e poderoso, voando uns metros antes de explodir no ar com um
estampido abafado. Zé respirou fundo e tentou imitar os meus movimentos. O seu
rosto estava tenso, os lábios pressionados em profunda concentração. De
repente, uma esfera de energia amarela começou a formar-se entre as suas mãos,
tremeluzindo com menos intensidade. Com um esforço visível, ele empurrou as
palmas para a frente:
— Asul….hiya?A bola amarela saiu
de forma instável, rodopiando devagar e percorrendo apenas alguns metros antes
de se desfazer em faíscas fracas. Abri um sorriso largo.
— Zé... Conseguiste! Abre os
olhos!Ele abriu os olhos e observou o rasto de energia com fascínio, mas logo
fez uma careta.
— Mas não é azul... e foi
fraquinho.
Ri e dei-lhe um tapinha no ombro.
— Isso já é um excelente começo. O
teu Asul na Erhiya ainda é fraco, mas com treino vai ficar mais forte e mais
azul.Zé levantou-se, esticando os braços.
— Bom, isto foi fixe, mas agora
vou-me preparar para ir ao cinema.
Sorri de canto de boca e soltei, com
um tom provocador:— Espera só até aprenderes o Shoryuken e a voar.Ele parou
junto à porta, virou-se para mim com os olhos arregalados.
— A
voar?!Apenas sorri.Ele ainda tinha muito para aprender.



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